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08 junho 2011

Experimentos #3

Olá pessoal,
Mais um experimento presente na Estação do SNE:

COMPACTAÇÃO DO SOLO



Objetivos: Demonstrar como a compactação do solo diminui a infiltração de água, favorecendo o escorrimento superficial e a erosão, ressaltando a importância da manutenção da estrutura do solo no contexto das bacias hidrográficas.

Temas/Conteúdos (palavras chave): Erosão- chuva – compactação do solo – infiltração – manejo do solo.

É possível estabelecer relações dessa temática com as bacias hidrográficas, ressaltando a importância da manutenção da estrutura do solo (sistema de poros) para reabastecimento dos reservatórios de água subterrânea e diminuição da erosão do solo.

Planejamento e Realização:

Materiais necessários:
3 Garrafas PET de 1,5 a 2 L 
Material de Solo argiloso
Material de solo arenoso 
Recipiente com água (bule ou regador) 
Pequenos pedaços de tecido, suficiente para cobrir o bocal das garrafas; 
Na ausência de tecido, pedaços de tela, “sombrite” 
Elástico ou barbante para prender o tecido no bocal das garrafas; 
Tesoura.

Espaço e condições necessárias: Não há restrição de espaço e condições

Montagem
Cortar as garrafas PET ao meio (corte perpendicular ao eixo maior, isto é, na “cintura”)
Inverter a parte superior e colocá-la dentro da parte inferior (a parte superior – “gargalo” – deve ficar como uma espécie de funil para a parte inferior, o “coletor”)
Prender o pedaço de tecido no bocal da garrafa para evitar que o solo caia; 
Preencher a metade superior da garrafa 1 (agora invertida como um funil) com solo argiloso sem compactar
Preencher a metade superior da garrafa 2 (agora invertida como um funil) com solo argiloso e compactar; a compactação pode ser feita colocando-se a mesma quantidade de solo colocado na garrafa 1, mas usando uma ferramenta (pedaço de madeira ou a propria mão) para compactá-la para ocupar um volume menor, para facilitar pode-se molhar um pouco o solo a ser compactado
Preencher a metade superior da garrafa 3 (agora invertida como um funil) com solo arenoso sem compactar;

  
Realização
Despejar o mesmo volume de água nos três conjuntos e observar que:
a.    Na garrafa 1 a água infiltra com uma certa taxa (T1)
b.    Na garrafa 2, a água infiltra mais lentamente que na garrafa 1 (T2 é menor que T1).
c.    Na garrafa 3 a água infiltra mais rápido que nas garrafas 1 e 2
Depois de alguns minutos, observar ainda que:
d.    O volume de água na parte de baixo (“coletor”) é maior para a garrafa 3;


Ação/ Reflexão:  
Realização da atividade problematizando o tema com as questões relacionadas à dinâmica da bacia (tipo de solo – argiloso, arenoso), importância do manejo do solo nas bacias agrícolas, importância da compactação do solo nas bacias urbanas; importância da infiltração para reabastecimento dos reservatórios de água subterrânea.
Contextualizar a atividade com a realidade local;
Analisar e refletir sobre o resultado da experiência em relação à infiltração de água no solo:
          
Comparando as garrafas 1 e 3:
         Solos argilosos infiltram mais lentamente, mas retém mais água para as plantas, solos arenosos infiltram mais rapidamente, mas retém menos água para as plantas.
Solos argilosos tem infiltração mais lenta que solos arenosos, mas retém mais água (coletor da garrafa 1 tem menos água que o coletor da garrafa 2). Discutir a importância da retenção de água nos poros do solo para uso das plantas e da drenagem do excesso de água do solo para reabastecimento dos reservatórios subterrâneos. Nos solos de drenagem rápida a contaminação da água subterrânea também é potencialmente mais fácil.

Comparando as garrafas 1 e 2:    
Observar que no solo compactado, a infiltração é menor e a retenção é menor, o que favorece o escorrimento superficial e a erosão. A compactação é indesejável quer porque diminui o armazenamento de água no solo e o reabastecimento dos reservatórios subterrâneos, quer porque pode potencialmente aumentar o arraste de partículas (erosão) pelo aumento do escorrimento superficial.

No conjunto, a experiência pode explicar em parte a ocorrência de enchentes em bacias com compactação e /ou impermeabilização abundante: a diminuição de infiltração diminui o volume de água armazenada no solo e no subsolo, que abastece os cursos de água no período das secas. Então, no período seco, os córregos ficam com pouquíssima  ou nenhuma água. No período das chuvas, a infiltração é deficiente e um grande volume de água chega muito rapidamente nos cursos de água, e devido à pequena infiltração, podem trazer uma grande carga de sedimentos, que se deposita no canal do córrego, tornando-o mais raso. No ano seguinte, o fenômeno se repete, mas agora o córrego e mais raso e transborda mais facilmente, e no ano seguinte a situação continua piorando, aumentando a frequência e a intensidade das enchentes.

Na internet:
Nome: Equipe Solo na Escola
Instituição: ESALQ/USP
Idealizador/ Autor da Atividade: Equipe Solo na Escola

29 março 2011

E lá vem água...

Olá pessoal,

Hoje vamos falar de algo um pouco diferente de terremotos e afins, vamos falar um pouco sobre as enchentes.

A enchente não é sempre algo ruim, muitas vezes anunciado de forma trágica em jornais na televisão, nos quais sempre vemos cidades inundadas, pessoas e animais ilhados, casas com água até o teto e coisas assim. A enchente na verdade é um fenômeno natural que geralmente acontece em todos os rios. Na época das chuvas os rios enchem e alagam  a área ao redor, a qual é chamada de planície de inundação. Geralmente isso é bom, pois ocorre um acúmulo de material orgânico nessas áreas quando a água abaixa, o que é muito bom para o plantio. Não é a tôa que as maiores civilizações se iniciaram as margens de grandes rios como o rio Nilo (Egito) e rios Tigre e Eufrates (na antiga Mesopotâmia).

A: Rio Nilo; B: Rios Tigre e Eufrates; C: Vale do Rio Indo; D: Rio Huan-Ho
 Enchente ou cheia é, geralmente, uma situação natural de transbordamento de água seu leito natural, qual seja, córregos, arroios, lagos, rios, mares e oceanos provocadas geralmente por chuvas intensas e contínuas. A ocorrência de enchentes é mais frequente em áreas mais ocupadas, quando os sistemas de drenagem passam a ter menor eficiência.

Mas a ação do homem mudou o curso natural das coisas...

Enchente do Rio Piracicaba em 2011
Começamos a tirar a vegetação e a construir casas nas margens dos rios, assim as enchentes viraram então um enorme problema. E pode piorar muito quando temos a "impermeabilização do solo". Ela ocorre quando o solo perde a capacidade de absorção da água. Este processo acontece principalmente nas cidades.
Os processos de cimentação, asfaltamento, calçamento de ruas e calçadas e outros, como a própria construção das edificações, formam uma espécie de capa sobre o solo, impedindo que a água fique em contato com este e assim possa ser absorvida.

Alguns dos efeitos sentidos com este processo são o aumento das enxurradas nas cidades nos dias de chuva. Como a água não é absorvida pelo solo como deveria ocorrer normalmente, estas enxurradas chegam aos rios em volumes muito maiores do que sua capacidade natural de escoamento, causando enchentes e transbordamentos em dias de fortes chuvas.
Outro efeito trazido pela impermeabilização do solo é que a água da chuva não penetra no solo não alimentando os lençóis freáticos, afetando assim a realimentação das águas das bacias hidrográficas.

 Bom pessoal, espero que tenham gostado....logo teremos os posts sobre os "experimentos" que temos aqui na nossa querida Estação do Solo na Escola...

Beijos a todos...