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04 junho 2013

Para ler, ver e ouvir #5

Olá pessoal,

Hoje a nossa recomendação para a série Ler, ver e ouvir é um clássico! Jurassic Park é um livro de ficção científica escrito por Michael Crichton e publicado em 1990, mas a maioria das pessoas conhece o filme de 1993, dirigido por Steven Spielberg. Como a história é bastante conhecida, não vamos detalhar muito o enredo do filme aqui, mas vamos mostrar os 10 maiores erros dessa superprodução. Independente destes erros, o filme continua sendo um clássico e vale a pena ver, pra quem ainda não viu!



Vamos aos erros científicos de Jurassic Park!

1) No início do filme os paleontólogos encontram um esqueleto completo de um dinossauro em uma escavação, e parece ser uma coisa bem comum. Esse é o sonho de qualquer paleontólogo, porque encontrar esqueletos completos é um fato muito raro. Os paleontólogos comemoram quando encontram alguns ossos espalhados por aí. Nós já falamos do processo de fossilização aqui no blog. Se você não se lembra dê uma olhada aqui.

Ah, se fosse fácil assim...

2) O dono do parque, John Hammond mostra aos visitantes como os dinossauros foram criados. Ele e outros cientistas extraíram sangue líquido de um mosquito da era Mesozóica, preservado em âmbar. Neste sangue ele identificou genes de diferentes dinossauros e usou estes genes para clonar e "recriar" os dinossauros. Tudo certo até aí? Na verdade não. Se você enfiar uma agulha em um inseto fossilizado a mais de 50 milhões de anos você não vai encontrar sangue líquido. Já foi extraído DNA por meio de insetos preservados em âmbar, mas foi o DNA do inseto, não de dinossauros. Se você clonar esse DNA o que vai acontecer será crescer vários mosquitos, e nenhum dinossauro, infelizmente!



3) Como não foi encontrado o DNA completo de todos os dinossauros, os cientistas usaram DNA de sapo para completar os "buracos" que ficaram faltando. Má escolha! Mesmo os seres humanos possuem um vínculo genético mais próximo com os dinossauros do que os sapos. Usar DNA de pássaros seria muito mais correto. O problema é que para o desenrolar do filme correr do jeito que o autor gostaria, os dinossauros teriam que mudar de sexo, o que acontece com muitas espécies de sapos. Pássaros não mudam de sexo, por isso eles não foram escolhidos pelo autor do livro!

DNA de dinossauro misturado com de sapo. Jura que você fez isso Spielberg?

4) Bom, os dinossauros foram clonados pelo DNA recuperado em um mosquito e o DNA foi completado com DNA de sapo...isso tá errado mas vamos relevar. Uma coisa importante que não é explicada no filme é como a vegetação do Mesozóico também foi recriada! Clonagem de xilema? Claro que a maioria não se deu conta disso, até porque há mais coisas pra se preocupar quando há T-Rex e Velociraptors soltos por aí...

Flora do Mesozóico...como isso veio parar aqui?

5) O Braquiossauro, um dos maiores dinossauros é retratado como um bichinho simpático no filme. Ele até espirra. Pra chegar nas folhas das árvores e ter um almoço mais apetitoso, eles se apóiam sobre as pernas traseiras, ficando só com duas patas no chão. Fisicamente isso é impossível. Um animal desse tamanho não evoluiu para se manter em duas pernas...o peso é muito grande, ele (literalmente) quebraria no meio. E nada de espirros...isso é coisa de mamífero!

Você consegue imaginar um ser deste tamanho apoiado em só duas pernas?


6) Em uma parte do filme, os visitantes tentam descobrir porque um Triceratops está doente. Um dos visitantes então coleta os excrementos do dinossauro. Se você viu o filme deve lembrar dessa cena, e deve lembrar do tamanho dos excrementos! Era quase do tamanho do dinossauro! Esterco de dinossauros fossilizados encontrados hoje (conhecidos como coprólitos) são proporcionais ao tamanho de seus donos. Ou eles estavam coletando os excrementos de outro dinossauro Saurópode gigante ali...é a única explicação.

Coprólitos de Dinossauros

7) Iniciando as cenas assustadoras. Um Dilofosauro lança uma gosma venenosa em um dos funcionários do parque e depois completa o trabalho. Outra cena inesquecível que todos devem lembrar (se você não cobriu o rosto com as mãos nessa hora...). Não há nenhuma evidência que o pescoço decorativo do Dilofosauro tem função de lançar gosmas pretas venenosas. Além disso, eles eram bem maiores do que os retratados no filme.


8) Os passos do T-Rex causam um imenso impacto no chão, criando um mini-terremoto, e por causa disso os visitantes conseguem fugir dele. Imagine ser capaz de ouvir seu predador a quilômetros de distância. Bom né? Mas isso pro T-Rex é muito ruim...é muito difícil ser um caçador de sucesso dessa forma. Ele provavelmente seria extinto por causa disso. Ah, e se você um dia encontrar com T-Rex, não fique parado esperando que ele não vá te encontrar por você ficar imóvel. Mesmo que ele não possa te ver, ele pode cheirar...e aí fica fácil!

Péssima idéia!
9) Velociraptors...dinossauros inteligentes e excelentes caçadores. Bom, o maior erro do filme na verdade é o tamanho dos dinossauros. Na verdade o Velociraptor era do tamanho de um peru. E mesmo que os Velociraptors fossem extremamente inteligentes, é bem improvável que eles tivessem cérebro suficiente para descobrir maçanetas de portas. 

Realmente ótimos caçadores, mas o tamanho tá desproporcional...

10) Todos os dinossauros em Jurassic Park são escamosos. Há uma forte evidência que dinossauros teria penas, pois as aves evoluíram a partir deles. Portanto, quando você encontrar com uma galinha, mais respeito. Você está encarando um descendente dos dinossauros!

Mais respeito com as galinhas!
Apesar de todos os erros e adaptações, nós somos fãs desse filme/livro! Recomendamos a todos, e não só o primeiro, mas o segundo e o terceiro também! Estes possuem outros erros...mas a gente discute isso em outro post.

Um abraço a todos,

24 fevereiro 2012

Para ver, ler e ouvir #2

Olá pessoal,

Hoje vamos falar sobre mais um filme bastante conhecido.

O filme em questão se chama "O dia depois de amanhã" (2004), e é mais um recomendado pelo SNE! Acho que podemos classificar este filme como ficção "quase-científica". Eu explico...apesar de não ser baseado em fatos reais, existe sim um forte embasamento científico no filme.  Atenção: se você não viu o filme ainda, veja e depois leia o post...a gente conta o final aqui. rs.



Vamos explicar o principal fato exposto lá.  Vejam o trailer:


Um resumo: O aquecimento global gerou um grande derretimento na calota polar, deixando o oceano dessalinizado e mais frio. Como consequência, a corrente do Atlântico-Norte "parou". Em todo o mundo, o clima violento provocou destruições em massa. O filme termina com os astronautas, olhando para a Terra a partir da Estação Espacial, mostrando a maior parte do hemisfério norte, coberto de gelo e neve, e uma redução significativa da poluição.

Correntes marítimas são o fluxo das águas dos oceanos, ordenadas ou não, decorrentes da inércia da rotação do planeta Terra, dos ventos e da diferença de densidade. A Corrente do Atlântico Norte é uma corrente marítima potente, rápida e quente do Oceano Atlântico que tem origem no Golfo do México, e fim na costa leste dos Estados Unidos. A corrente se extende até a Europa, tornando os países do oeste europeu um pouco mais quentes do que seriam sem a presença dela.

Correntes Marítimas da Terra, em vermelho as quentes, e em azul as frias


Uma pesquisa divulgada nos Estados Unidos pela NASA e pela Universidade de Colúmbia de Nova York comprova que mudanças nas correntes marítimas no Atlântico Norte já provocaram no passado profundas alterações no clima com diversos impactos na temperatura e no regime de chuva em diversas regiões do planeta. Ou seja, o "dia depois de amanhã" já aconteceu! (em uma escala menor, no passado).

Circulação da corrente do Golfo (em vermelho)
Os cientistas acreditam que o ingresso de uma  enorme quantidade de água fresca no Atlântico pode determinar uma profunda alteração no padrão das correntes oceânicas que distribuem o calor ao redor do planeta, mas não esperam que ela cause uma interrupção completa, como no filme. Pelo menos, não tão rapidamente. No filme, todo o processo ocorre em questão de semanas, enquanto na "vida real" é esperado que este processo ocorra em décadas ou séculos.

Apesar de ser um pouco catastrófico, o filme explicou ( e ainda explica) de uma forma bem simples a mudança climática.  Por isso a gente gosta tanto dele! rs.

Aguardem ao próximo filme, ou livro, ou (quem sabe) até música! Alguém tem alguma sugestão? rs.

Um abraço a todos,

10 janeiro 2012

Para ver, ler e ouvir #1


Olá pessoal,


Pra começar com as novidades em 2012, vamos apresentar pra vocês a sessão "Para ver, ler e ouvir". Aqui vamos dar sugestões de filmes, livros e músicas que tem a ver com o solo, e como é possível fazer associações destas obras de arte com a realidade.


Pois bem, vamos começar com um clássico! O filme que recomendamos é "O inferno de Dante".



Este filme foi lançado em 1997 e se passa em uma pequena cidade dos EUA chamada Dante, onde existe um vulcão que possui o mesmo nome da cidade. Um vulcanologista (perito em fenômenos vulcânicos), e  a prefeita de Dante  tentam convencer o conselho dos cidadãos e outros geólogos a declarar estado de alerta, pois o vulcão, que está inativo há vários séculos, entrará em erupção.

Mas não estamos aqui pra falar do filme, e sim dos processos referentes ao solo presentes no filme. Como todo bom filme de ficção científica, há acertos e erros com relação aos métodos científicos. Nós já falamos bastante sobre erupções de vulcões aqui no blog. Vamos tratar então de algumas situações curiosas que acontecem no filme.

 

Na primeira, um dos pesquisadores pega amostras de água para determinar o pH do lago. O pH mede a quantidade de íons H+ que estão presentes, seja no solo ou na água. O pH normal de um lago é aproximadamente 7, que se encaixa no meio da escala, ou seja, nem muito baixo (meio ácido), nem muito alto (meio básico). Quando um vulcão está ativo ele elimina muitos gases através da sua abertura e de rachaduras. Entre os principais gases está o CO2 (dióxido de carbono) que se combina com a água (H2O) formando Ácido carbônico (H2CO3). Assim, o pH da água vai ficando mais baixo (ácido), o que corresponde a um número menor que 7. No filme, o pH do lago estava em 3,48 ou seja, um meio bastante ácido, fazendo os cientistas acreditarem que o vulcão estava realmente iniciando a sua erupção.

Um dos motivos para se acreditar que o vulcão entraria em erupção era a morte das árvores mais próximas do vulcão, devido ao excesso de CO2 na área.  E isso pode acontecer sim, na verdade já aconteceu! No caso do vulcão Mammoth Mountain, também nos EUA, não houve erupção, mas o vulcão estava ativo eliminando CO2 pelas rachaduras presentes no solo. Este CO2 em alta concentração pode matar as raízes das árvores, levando à morte das árvores por falta de nutrientes, que eram absorvidos pelas raízes.

O vulcanólogo (ou seria o James Bond?) bem que tentou avisar antes...
 
Outra possível evidência da erupção é a contaminação da água, onde foi encontrada enxofre. O que acontece é que além do CO2 também há emissões de dióxido de enxofre (SO2) que é solúvel na água. Apesar de não existirem evidências científicas de que isso pode acontecer, teoricamente é possível e poderia estar ligado à atividade do vulcão.

É aí que ocorre a erupção. Tem uma confusão enorme e...não, não eu não vou contar o final do filme! rs. Apesar de ter alguns exageros (típicos de Hollywood) é um dos filmes que possuem mais acertos com relação á teorias científicas (pelo menos dos que eu já vi).

Fugindo da erupção

Existem muitos outros trechos do filme que nós poderiamos citar, mas a gente iria ficar o dia todo discutindo. Se vocês encontraram mais algum, mandem comentários ou até mesmo perguntas que a gente, se não souber, dá um jeito de responder! rs
Um abraço a todos,
 



PS: Dirigir um caminhão em cima de um fluxo de lava...Só um cara que já interpretou o James Bond pra fazer isso! rs