04 março 2012

Imagem da Semana #21

Olá pessoal,

Nesta semana, um fóssil de um animal pré-histórico inédito ficou durante 20 anos guardado em um galpão no Rio Grande do Sul. O Museu Aristides Carlos Rodrigues, da cidade, recebeu um crânio fossilizado em dezembro de 2011, doado por uma pessoa que não quis se identificar.


Fóssil foi entregue a museu após 20 anos (Foto: Maieve Soares/Prefeitura de Candelária/Divulgação)

Segundo o curador voluntário do museu Carlos Nunes Rodrigues, o crânio do animal é compatível com a biozona de dinodontossauro, que viveu durante o período triássico e habitou a terra há cerca de 230 a 235 milhões de anos. Um dos dentes que estão fixados evidencia que se tratava de um animal carnívoro.

Um abraço a todos,

01 março 2012

Oxigênio na atmosfera

Olá pessoal,

Ao ler o título deste post, você deve estar se perguntando: o que o oxigênio na atmosfera tem a ver com o solo? A resposta é que só foi possível determinar a data do início da atmosfera devido às rochas.

Recentemente, um grupo de pesquisadores publicou um artigo na Nature, datando o período da transição da atmosfera antiga para a nova: o acúmulo de oxigênio no ar teria começado 2,48 bilhões de anos atrás. Para determinar como e quando essa mudança ocorreu, os pesquisadores analisaram a distribuição do elemento químico cromo (Cr) e de seus isótopos em formações ferríferas. A ideia é que a distribuição desse e de outros elementos químicos nas rochas guarde pistas das características dos oceanos com os quais esses elementos tiveram contato em tempos antigos.

A edição de dezembro de 2011 da Revista FAPESP possui uma matéria sobre o artigo. Você pode acessar esta matéria na íntegra clicando aqui. Se estiverem interessados em ler o artigo vocês podem encontrar ele aqui.

"Como as rochas tinham idades diferentes, foi possível inferir as mudanças na atmosfera e no ambiente oceânico ao longo do tempo. Concluiu-se que cerca de 2,5 bilhões de anos atrás grandes quantidades de Cr foram extraídas dessas rochas e transportadas do continente para o oceano por águas superficiais extremamente ácidas, contendo ácido sulfúrico produzido a partir da decomposição da pirita (sulfeto de ferro). Como essas reações nas rochas são explicadas principalmente pela presença de bactérias aeróbicas acidofílicas – que necessitam do oxigênio do ar para viver e são capazes de sobreviver em ambientes ácidos –, supõe-se que uma quantidade significativa de oxigênio já tivesse se acumulado na atmosfera do planeta.

Depósitos de ferro oxidado em formações rochosas da Austrália

Há evidências, porém, de que a produção desse gás tenha começado bem antes, cerca de 3,5 bilhões de anos atrás, com as algas azuis, também conhecidas como cianobactérias. Por um longo período, no entanto, o oxigênio liberado por essas algas mal alcançava a atmosfera por interagir rapidamente com o ferro de origem vulcânica dissolvido no mar, originando as grandes formações ferríferas que hoje se encontram nos continentes e abastecem as mineradoras e a indústria siderúrgica. Depois dessa fase inicial de produção de oxigênio, que durou quase 1 bilhão de anos, o processo de transformação da atmos-fera pode ter sido bem rápido. Em 100 milhões a 200 milhões de anos, ela já apresentaria grandes quantidades de oxigênio.

Cianobactérias: As responsáveis pela produção de oxigênio

Esses indícios de que uma atmosfera rica em oxigênio já existisse há 2,5 bilhões de anos são os mais antigos já identificados até o momento. E são compatíveis com análises anteriores, baseadas em outras evidências desse importante evento na história da Terra, chamado de grande oxigenação. Contudo, os pesquisadores admitem que a aceitação dessas conclusões não é geral."

Um abraço a todos,

28 fevereiro 2012

Uma floresta fóssil

Olá pessoal,

O post de hoje é indicação da Mayra (Fitiña). Cientistas chineses encontraram uma floresta fossilizada! O retrato deste pântano tropical está descrito na revista Proceedings of the Natural Academy of Sciences. Mas como isso é possível? Vamos ver...

Na cronologia da história geológica, há 298 milhões de anos, a Terra encontrava-se no início do período Pérmico, antes da era dos dinossauros. O mundo terrestre era dominado por anfíbios e por fetos com porte de árvore. E as placas tectónicas estavam a acabar de se juntar para formar a Pangeia. O local arqueológico que os cientistas da Academia de Ciência chinesa estudaram, na região da antiga Mongólia, no Norte da China, era na altura uma super ilha separada do continente, que se situava a latitudes tropicais, no Hemisfério Norte.

Os cientistas fizeram um verdadeiro trabalho de ecologia paleontológica com estratos soterrados que desenterraram, analisando 1000 metros quadrados de área florestal em três sítios diferentes. Se não tivesse havido erupção, ao longo de milhões de anos aquela paisagem teria se transformado em carvão no interior da Terra, como aconteceu em muitos locais semelhantes a norte a sul da formação.


Mas a cinza fez fossilizar a floresta, que ficou comprimida em 66 centímetros de solo e fez com que a equipe pudesse recriar um retrato detalhado da floresta.

Os cientistas encontraram seis grupos de plantas diferentes com várias espécies em cada grupo. Há um estrato mais basal com fetos arbóreos, de onde de quando em vez saem árvores mais finas e altas que parecidas a um espanador de penas, com 25 metros de altura. Encontraram também um grupo de plantas extinto que libertava esporos e árvores que parecem ser antepassados das cicadófitas, plantas sem flores que fazem lembrar palmeiras.

Com isso, os cientistas descobriram uma "cápsula do tempo". Com base nos achados pode-se interpretar muito melhor a evolução da flora na região, comparando com a presente nos dias de hoje.

E você achando que isso só acontecia com dinossauros...rs

Um abraço a todos,

26 fevereiro 2012

Imagem da Semana #20

Olá pessoal,

Uma das notícias mais impressionantes dessa semana foi que cientistas conseguiram cultivar uma planta a partir de sementes de 30 mil anos!


Sementes vegetais preservadas no gelo por 30 mil anos foram recuperadas e cultivadas no Instituto de Biofísica Celular da Academia de Ciências da Rússia. O resultado do experimento foi exibido nesta sexta-feira (24). (Foto: Denis Sinyakov / Reuters)

As sementes pertencem à espécie Silene stenophylla, uma planta com flor. Foram encontradas em uma toca de esquilo da Era do Gelo, em águas congeladas do rio Kolyma, na Sibéria. O material pode ajudar os cientistas a reviver outras espécies. Essa planta é considerada a mais antiga já recuperada em laboratório.

Um abraço a todos,

24 fevereiro 2012

Para ver, ler e ouvir #2

Olá pessoal,

Hoje vamos falar sobre mais um filme bastante conhecido.

O filme em questão se chama "O dia depois de amanhã" (2004), e é mais um recomendado pelo SNE! Acho que podemos classificar este filme como ficção "quase-científica". Eu explico...apesar de não ser baseado em fatos reais, existe sim um forte embasamento científico no filme.  Atenção: se você não viu o filme ainda, veja e depois leia o post...a gente conta o final aqui. rs.



Vamos explicar o principal fato exposto lá.  Vejam o trailer:


Um resumo: O aquecimento global gerou um grande derretimento na calota polar, deixando o oceano dessalinizado e mais frio. Como consequência, a corrente do Atlântico-Norte "parou". Em todo o mundo, o clima violento provocou destruições em massa. O filme termina com os astronautas, olhando para a Terra a partir da Estação Espacial, mostrando a maior parte do hemisfério norte, coberto de gelo e neve, e uma redução significativa da poluição.

Correntes marítimas são o fluxo das águas dos oceanos, ordenadas ou não, decorrentes da inércia da rotação do planeta Terra, dos ventos e da diferença de densidade. A Corrente do Atlântico Norte é uma corrente marítima potente, rápida e quente do Oceano Atlântico que tem origem no Golfo do México, e fim na costa leste dos Estados Unidos. A corrente se extende até a Europa, tornando os países do oeste europeu um pouco mais quentes do que seriam sem a presença dela.

Correntes Marítimas da Terra, em vermelho as quentes, e em azul as frias


Uma pesquisa divulgada nos Estados Unidos pela NASA e pela Universidade de Colúmbia de Nova York comprova que mudanças nas correntes marítimas no Atlântico Norte já provocaram no passado profundas alterações no clima com diversos impactos na temperatura e no regime de chuva em diversas regiões do planeta. Ou seja, o "dia depois de amanhã" já aconteceu! (em uma escala menor, no passado).

Circulação da corrente do Golfo (em vermelho)
Os cientistas acreditam que o ingresso de uma  enorme quantidade de água fresca no Atlântico pode determinar uma profunda alteração no padrão das correntes oceânicas que distribuem o calor ao redor do planeta, mas não esperam que ela cause uma interrupção completa, como no filme. Pelo menos, não tão rapidamente. No filme, todo o processo ocorre em questão de semanas, enquanto na "vida real" é esperado que este processo ocorra em décadas ou séculos.

Apesar de ser um pouco catastrófico, o filme explicou ( e ainda explica) de uma forma bem simples a mudança climática.  Por isso a gente gosta tanto dele! rs.

Aguardem ao próximo filme, ou livro, ou (quem sabe) até música! Alguém tem alguma sugestão? rs.

Um abraço a todos,

22 fevereiro 2012

Um começo diferente...

Olá pessoal,

Nesta semana saiu uma notícia muito interessante no site do Instituto Ciência Hoje. Quem mandou a sugestão foi o Prof. Antônio. A matéria trata de uma nova teoria do surgimento da vida.

"A vida moldada a partir do barro. Não se trata exatamente do homem à espera do sopro divino, mas da origem de nossas mais longínquas ancestrais, as primeiras células do planeta, que podem ter surgido no interior de berçários naturais, quentes, úmidos e ricos em compostos químicos, formados pelos vapores exalados do interior da Terra e condensados em pequenos lagos barrosos. Esta é a teoria apresentada por um artigo da edição atual da PNAS, que contraria a versão mais aceita de que a vida teria surgido nos mares primitivos.

Campo geotermal de Mutnovsky, em Kamchatka (Rússia). (foto: Anna S. Karyagina)       


Liderados pelo biofísico russo Armen Mulkidjanian, da Universidade de Osnabrück, na Alemanha, e da Universidade de Lomonosov, na Rússia, os pesquisadores analisaram evidências geotérmicas, celulares e genéticas para reconstruir a origem da vida. O grupo avaliou a composição dos ecossistemas terrestres e marinhos ancestrais – tendo como referência as características prováveis das células primitivas – e estudou os aspectos funcionais comuns às células atuais e a seus antepassados.

Se os oceanos não encaixam muito bem como berçário da vida, onde as primeiras células teriam nascido, afinal? Segundo a nova teoria, em zonas terrestres úmidas e quentes, dominadas por vapor hidrotermal. A vida, no entanto, precisava chegar aos oceanos, pois sabemos que foi lá que surgiram os primeiros organismos complexos. Por isso, em algum ponto, as células primitivas tiveram que abandonar a segurança de seus berçários. De fato, prepararam-se durante milhões de anos para fazê-lo, utilizando os isolados e estáveis campos geotermais como incubadoras para os primeiros passos evolutivos. Nesse período, teoriza Mulkidjanian e sua equipe, é possível que membranas e estruturas capazes de proteger a composição das células em relação ao meio externo tenham se desenvolvido.

Em vez de ter nascido nos oceanos, nova teoria defende que a vida teve de se adaptar e evoluir para então poder conquistar os mares, onde os primeiros organismos complexos puderam se desenvolver. (foto: Flickr/ raysto – CC BY-NC-SA 2.0)

Curiosamente, a teoria proposta pelo russo é conceitualmente parecida com as ideias propostas há mais de um século por Charles Darwin sobre a origem da vida em pequenos lagos quentes, ricos em amônias, sais, luz, calor e eletricidade, que formassem um composto químico de proteínas pronto para sofrer mudanças mais complexas.

E assim funciona a ciência, sempre encontrando novas explicações pra velhas perguntas...quem sabe daqui a algum tempo não surge uma nova? rs.

Um abraço a todos,